Meu coração é um vão clivado.
Coração, coração mesmo, é força de expressão.
Minha indecisão é o ordinário
A força que me ergue — a exasperação.
Guardo cativo na lembrança um par de risos
Levo comigo uma memória que não é minha
Cultivo, solenemente, meu labirinto
Destrincho, sem pretensão, minha poesia.
Vejo a vida passar, como quem não sente,
E sentindo tudo, vejo-me passado,
Sem olhar, eu fito os meus embaraços.
Paro pra pensar no que não me agrega,
Levo então comigo o que ninguém carrega
E mesmo triste, em cinzas1, vivo assim contente.
A thumbnail desse poema se chama Burnout, de autoria do artista digital Henry Draubez. ↩︎
